As aspas replicadas abaixo foram pinçadas por José Roberto de Toledo no 7º Congresso de Jornalismo Investigativo, realizado em São Paulo, e publicadas no Estadão desta segunda-feira, 16.
“A internet procura imitar os jornais, e os jornais estão tentando imitar a internet. Para os jornais, isso é suicídio. (…) Que os jornalistas voltem sua criatividade para encontrar o jornal do seu tempo.”
Jânio de Freitas, 80 anos, 60 de jornalismo
“A revolução digital transformou o habitat dos meios de comunicação da escassez de um deserto na abundância da floresta amazônica. O que está em crise é o modelo de negócio dos jornais, não o jornalismo.”
Rosental Calmon Alves, fundador do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas
“O modelo de cobrança de conteúdo online criado pelo New York Times está dando certo. Conseguimos 500 mil assinantes digitais e a circulação do jornal impresso aos domingos cresceu. Não sei se o modelo é replicável em outro lugares, por outros veículos.”
David Carr, colunista do New York Times, mais badalado analista de mídia do mundo
“Numa cobertura ao vivo de uma olimpíada, diante das dificuldades de acesso aos atletas e de deslocamento entre os locais das provas, a maior tentação é ficar no centro de imprensa e assistir a tudo de lá. É o pior erro que um jornalista pode cometer.”
Dorrit Harazim, oito olimpíadas na bagagem
“Nada substitui estar presente no local dos fatos, mas o jornalista pode completar suas informações pesquisando e desenvolvendo fontes nas redes sociais.”
Andy Carvin, autor da melhor cobertura em tempo real da Primavera Árabe. Durante a repressão a uma manifestação na Praça Tahir, no Egito, ele ficou preso entre duas linhas de policiais e só conseguiu saber o que estava acontecendo quando, já a caminho do hotel, seu Twitter voltou a funcionar
“Desde 2005, 40 mil jornalistas foram demitidos nos EUA. (…) O jornal onde eu trabalhava não existe mais. O New York Times hoje é um negócio completamente diferente. (…) Fazemos muitas transmissões ao vivo, vídeos e devemos fazer cada vez mais. (…) Um jornalista depende menos do que ele estudou e mais do que ele fez e faz, do número de seguidores que ele tem no Twitter; sua contratação é uma fusão da sua marca com a do veículo onde ele vai trabalhar. (…) Esta é a melhor época de todos os tempos para ser jornalista. (…) Como jornalistas, apesar de não ganharmos muito, vivemos a vida de reis ou de rainhas; acho que vale a pena lutar por isso.”
David Carr